sábado, 15 de outubro de 2011

Fernando Pessoa – Ortónimo

  • Na poesia do ortónimo coexistem duas vertentes: a tradicional e a modernista. Algumas das suas composições seguem na continuidade do lirismo português, com marcas do saudosismo; outras iniciam o processo de ruptura, que se concretiza nos heterónimos ou nas experiencias modernista.
  • A poesia, a cujo Fernando Pessoa queria dar o título Cancioneiro, é marcada pelo conflito entre o pensar e o sentir, ou entre a ambição da felicidade pura e a frustração que a consciência de si implica (ex: “Ela canta pobre ceifeira”).
  • Pessoa procura, através da fragmentação do eu, a totalidade que lhe permite conciliar o pensar e o sentir. A fragmentação está evidente, por exemplo, em Meu coração é um pórtico partido, ou nos poemas interseccionistas Hora absurda e meu coração.
  • O interseccionismo entre o material e o sonho, a realidade e a idealidade surge como tentativa para encontrar a unidade entre a experiencia sensível e a inteligência.
  • O ortónimo tem uma ascendência simbolista evidente desde os tempos de Orpheu e do paulismo (ex: Impressões do Crepúsculo)
  • A poesia do ortónimo revela de despersonalização do poeta fingidor que fala e que se identifica com a própria criação poética, como impõe a modernidade. O poeta recorre à ironia para pôr tudo em causa, inclusive a própria sinceridade que, com o fingimento, possibilita a construção de arte.
  • As temáticas:
- o sonho; a intersecção entre o sonho e a realidade (ex: Chuva obliqua);
- a angústia existencial e a nostalgia (do eu, de um bem perdido, das imagens da infância…);
- a distância entre o idealizado e o realizado – e a consequente frustração (“tudo o que faço ou medito”)
- a máscara e o fingimento como elaboração mental dos conceitos que exprimem as emoções ou o que quer comunicar (ex: Autopsicografia)
- a intelectualização das emoções e dos sentimentos para elaboração da arte;
- o ocultismo e o hermetismo (ex: Eros e Psique);
- o sebastianismo (a que chamou o seu nacionalismo místico e a que deu forma no livro Mensagem);
- tradução dos sentimentos na linguagem do leitor, pois o que se sente é incomunicável.

                                

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